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| Pirâmides da antiga capital Méroe, no atual Sudão. |
O antigo Reino de Kush ou Cuxe localizava-se na Núbia, uma extensa região situada ao sul do Egito, onde, atualmente, encontram-se o Egito e o Sudão. Por possuir uma grande quantidade de minas de ouro, os árabes chamavam a região de nuba (nub significa ouro na escrita hieroglífica; assim, Núbia significa terra do ouro). Em tempos mais remotos, a região da Núbia foi utilizada como importante ponto de encontro entre os povos do Mediterrâneo e da África Central.
O Reino Kush está localizado, entre os atuais Egito e Sudão. Entre 1580 a.C. e 1530 a.C., aproximadamente, o Egito conquistou o Reino de Kush. Durante o domínio egípcio, o governo na região da Núbia era exercido por um vice-rei de origem cuxita, nomeado pelo próprio faraó. Os cuxitas também eram obrigados a pagar tributos aos egípcios. Por volta de 1000 a.C., o Reino de Kush conseguiu se libertar do controle egípcio, embora o contato entre esses povos tenha permanecido. Os faraós cuxitas (Faraós Negros) usavam coroas enfeitadas com duas serpentes, que simbolizavam o controle de Kush e do Egito.
Embora a união entre o Reino de Kush e o Egito tenha criado um poderoso império, os ataques assírios contra a região continuaram. O último dos faraós núbios, Tenutamon, foi derrotado e obrigado a voltar à cidade cuxita de Napata sua primeira capital. Mesmo com o fim da dinastia dos faraós cuxitas, o Reino de Kush não desapareceu, sendo reorganizado ao redor da cidade de Méroe sua segunda capital. Seu declínio só ocorreu nos primeiros séculos da Era Cristã, entre 320-350 d.C., o reino africano de Axum, situado ao norte da atual Etiópia, conquistou o Reino de Kush.
Inicialmente, os núbios viviam como nômades, dedicando-se à caça, pesca e coleta de alimentos. Assim como os egípcios, eles desenvolveram ao longo do tempo técnicas para represar e canalizar as águas do Rio Nilo. Ao utilizarem esses recursos, tornaram-se sedentários.
Até o fim da dinastia dos faraós cuxitas, a capital do Reino de Kush era Napata. Os cuxitas desenvolveram, nesse período, atividades ligadas à pecuária, com a criação de cabras, cavalos e burros. Com o fim da dinastia cuxita, a capital do reino foi transferida para Méroe, e passaram a ser mais dedicadas à agricultura, especialmente de trigo, cevada e sorgo ou durra (espécie de cereal similar ao milho e rico em proteínas), visto que as novas terras recebiam chuvas mais abundantes.
As terras do Reino de Kush também eram ricas em metais, como o ferro e o ouro, e em pedras preciosas. As atividades de mineração eram controladas pelo poder real cuxita, o que permitia aos governantes a manutenção de seus poderes e fortunas. O ouro, especialmente, era utilizado em trocas comerciais com Egito e Roma.
A experiência com pedras e metais preciosos estimulou o desenvolvimento do artesanato, que possuía desenhos bastante refinados em suas peças. As atividades artesanais de marceneiros, ferreiros e tecelões eram muito valorizadas no reino. A cerâmica também foi bastante desenvolvida pelos cuxitas e, no início, era feita somente pelas mulheres, o que mudou com o passar do tempo.
O comércio estimulou trocas culturais entre cuxitas e outros povos, como egípcios, gregos, persas e indianos. Porém, os cuxitas tinham consciência sobre sua própria independência, o que representava um grande incentivo para que inventassem técnicas específicas e estimulassem sua própria cultura.
O atual Sudão é o país que abriga a maior quantidade de pirâmides construídas e preservadas: cerca de 255 monumentos, número superior ao do Egito, que possui 138 construções. Os cuxitas, assim como seus vizinhos egípcios, também adotaram o costume de enterrar alguns mortos em pirâmides.
A escolha dos reis cuxitas era realizada de forma diferente do que ocorria no Egito, onde o faraó era sucedido por seu filho. Em Kush, geralmente, os líderes das comunidades (chefes militares, altos funcionários do reino, líderes de clãs e sacerdotes) votavam no líder considerado mais capacitado e preparado para exercer a função de rei. No Reino de Kush, o rei não governava sozinho. Altos funcionários e conselheiros, o escriba-mor e outros escribas, chefes do tesouro, chefes de arquivo, entre outros, auxiliavam-no na administração do reino. Os militares eram valorizados na sociedade cuxita, pois a proximidade com o Egito os mantinha sempre em alerta para possíveis guerras e conflitos. Seus exércitos eram compostos por arqueiros e guerreiros.
As mulheres possuíam um papel importante na política cuxita. Muitas delas, mães ou esposas dos reis, conseguiram chegar ao poder, sendo consideradas candaces, que significava Rainhas-Mães. Na sociedade cuxita camada dirigente era formada pelo rei e seus familiares, além de nobres e sacerdotes. Também havia uma aristocracia provicincial. Abaixo dela, havia comerciantes, artesãos, soldados e funcionários do reino. Por fim, os criadores de animais e agricultores, todos livres, formavam a maioria da população cuxita.
Assim como os egípcios, os cuxitas eram politeístas e cultuavam tanto divindades egípcias quanto deuses meroítas. Além disso, alguns animais eram considerados sagrados, como o carneiro, o leão, o crocodilo e o gato.
______Com informações do Portal Palmares e outros sites...

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