![]() |
| Alexandre Lucas, Colunista. (FOTO/ Reprodução). |
22 de setembro de 2021
Calculando histórias
Projeto que cria "Selo Município Sem Racismo" será votado nesta quarta (22)
![]() |
| O projeto que cria o "Selo Município Sem Racismo" está na pauta da sessão desta quarta na Assembleia Legislativa. (FOTO/ José Leomar). |
Os
deputados estaduais irão analisar, na sessão desta quarta-feira (22), projeto
de lei que cria o "Selo Município
Sem Racismo". A proposta do Governo do Estado pretende estabelecer a
certificação para incentivar cidades cearenses a adotarem políticas de promoção
da igualdade racial.
A
votação ocorre na mesma semana em que a delegada da Polícia Civil, Ana Paula
Barroso, denunciou caso de racismo em uma loja Zara, após ter acesso negado. O
caso está sob investigação.
O
projeto de lei, apresentado no início de setembro, aponta que a
"diversidade étnico-racial" do Ceará encontra obstáculos "em
virtude do racismo estrutural que embasa a formação histórica desde o processo
de colonização" brasileira.
O texto da proposta ressalta ainda que o objetivo da criação desta certificação é "o fortalecimento dessas importantes ações" de promoção da igualdade racial em todo o Estado.
CRITÉRIOS PARA RECEBER O SELO
Caso
seja aprovada, para receber o "Selo Município Sem Racismo", as cidades
cearenses irão precisar cumprir alguns critérios.
Dentre
eles, a criação de uma estrutura institucional para o desenvolvimento de
políticas de promoção de igualdade racial. Neste caso, o Município também
poderá designar uma pasta já existente para a realização de ações neste
sentido.
Também
será necessário a instituição, por lei municipal, de um Conselho Municipal de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial - inclusive, respeitando a paridade
entre integrantes da sociedade civil e da gestão pública.
Por
último, também será necessário promover formação continuada para gestores e
servidores da Prefeitura sobre relações étnico raciais.
O
texto da proposta estabelece ainda que os municípios terão acesso a cooperação
técnica e assessoramento por meio da Coordenadoria Especial de Políticas
Públicas para Promoção da Igualdade Racial.
______________
Com informações do Diário do Nordeste.
21 de setembro de 2021
O que é racismo ambiental e como contribui para a retirada de direitos no Brasil
![]() |
| (Imagem: Fotos Públicas). |
Por
trás da seleção de uma comunidade específica para o recebimento de uma
instalação de indústrias poluidoras, depósito de rejeitos tóxicos ou, por
exemplo, a não garantia de direitos fundamentais como o acesso à água tratada e
ao saneamento básico, existe uma lógica racista chamada de racismo ambiental.
Trata-se
de uma discriminação que alimenta a lógica de instituições públicas e privadas
na seleção de determinadas áreas e comunidades para serem impactadas por uma
utilização exploratória de seus territórios. Esse racismo também está na falta
da elaboração de políticas públicas e ambientais e se revela na ausência de
aplicação de leis e regulamentos que protejam populações em vulnerabilidade,
além de medidas de conservação ambiental que desconsideram o manejo sustentável
e ancestral dos povos tradicionais, que são os principais responsáveis pela
manutenção da biodiversidade.
A população alvo é sempre a mesma
A
expressão racismo ambiental foi utilizada pela primeira vez em 1981 pelo
ativista por direitos civis e líder afro-americano Dr. Benjamin Franklin Chavis
Jr., que também foi assistente de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos. O
contexto de surgimento do termo esteve atrelado a investigações e pesquisas que
Benjamin fez sobre a concentração de atividades poluentes em áreas com maior
presença de pessoas negras.
As
populações mais impactadas pelo racismo ambiental são quilombolas, povos
pesqueiros, indígenas, ribeirinhos, periféricos, pessoas negras e demais grupos
e comunidades tradicionais. São povos constantemente ameaçados pelo risco da
contaminação, do desabamento, do rompimento de barragens, das invasões do
agronegócio e pelos efeitos das mudanças climáticas, por exemplo.
“Na
cidade o racismo ambiental se manifesta na segregação espacial da população
negra. São a maioria que sofre com a ausência de infraestrutura, são lugares de
ausência de serviços de segurança ambiental diante da crise climática que as
impacta pelas grandes enchentes, resultantes do aumento das chuvas e dos
deslizamento das moradias nos morros e encostas”, comenta Diosmar Filho,
geógrafo e doutorando em Geografia na UFF (Universidade Federal Fluminense).
Esse
tipo de racismo é vivenciado diariamente por muitos povos do Brasil. Existem
três tipificações de como ele se manifesta nos territórios de comunidades
tradicionais como quilombolas e indígenas: desumanização das comunidades, danos
ao desenvolvimento sustentável e marcos da injustiça ambiental.
______________
Com informações do Alma Preta. Leia o texto completo aqui.
19 de setembro de 2021
Entenda o que foi a Frente Negra, movimento pioneiro criado há 90 anos
![]() |
| Aniversário de fundação da Frente Negra Brasileira (Foto: Acervo Biblioteca Nacional). |
Em
5 de abril de 1932, o jornal Folha da Manhã noticiou em uma nota que havia
numerosas adesões de pessoas à Frente Negra Brasileira, em Campinas, no
interior de São Paulo. No dia seguinte, outra reportagem dizia que uma comitiva
esteve na cidade de Sorocaba para “assentar as bases para a delegação
representativa”.
Notícias
assim passaram a ser comuns após um grupo de “homens de cor”, como eram
chamados os negros na época, fundar a Frente Negra Brasileira, em 16 de setembro
de 1931, em São Paulo.
Pioneira
do movimento negro brasileiro, a associação tinha o objetivo de unir a
população negra em defesa de seus direitos e contra o “preconceito de cor”,
expressão que à época se usava para tratar do racismo.
“O
objetivo formal da FNB era a afirmação dos direitos históricos da gente negra e
a elevação moral, intelectual e social da população negra”, diz Márcio Barbosa,
autor do livro “Frente Negra Brasileira — Depoimentos” (Quilombhoje, 1998).
“Podemos
pensar que esses objetivos eram bem gerais, mas eram também muito ousados, se
levarmos em conta o contexto da época, com todas as dificuldades de organização
que se apresentavam interna e externamente”, afirma.
De
acordo com Márcio Barbosa, temas que faziam parte das diretrizes da FNB
permanecem na pauta do movimento negro atual, como a educação e a participação
política.
“Em
relação à educação, houve avanços, como a conquista das leis 10.639 e 11.645
[obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas
escolas] e das políticas de ação afirmativa no ensino superior”, afirma. “Por
outro lado, no campo da atuação político-partidária, no século 20 não houve nenhum
outro partido negro”, diz.
Segundo
Petrônio Domingues, historiador e professor da Universidade Federal de Sergipe,
quando se faz um paralelo entre a luta frentenegrina e a do movimento negro
atual, percebe-se um avanço significatico. “A sociedade e o estado brasileiro
passaram a compreender que o racismo no país é estrutural”, diz.
“Especialistas,
e eu faço parte desse grupo, entendem que estamos em uma era pós-democracia
racial. A narrativa de que não há racismo não cola mais”, afirma.
O
historiador destaca também como importantes avanços o reconhecimento das
comunidades remanescentes quilombolas, o que lhes deu o direito de titulação
das terras, e a Lei Caó (1985), que tornou o racismo crime inafiançável.
Foi
uma longa jornada de lutas, e ela começou antes mesmo de surgir a Frente Negra
Brasileira.
Por
volta de década de 1920, começaram a pipocar algumas associações de negros, em
geral de cunho recreativo. Uma delas, o Centro Cívico Palmares, foi fundado em
1926 e dissolvido em 1929. Dois anos depois, alguns de seus membros criaram a
Frente Negra, em São Paulo.
De
acordo com o historiador Petrônio Domingues, a perspectiva era a de unificar a
luta contra o racismo o Brasil, e a Frente Negra tornou-se a maior organização
em defesa dos direitos do negro no período pós-abolicionista.
A
primeira sede da entidade foi no Palacete Santa Helena, na Praça da Sé (centro
de São Paulo), mas o número de filiados cresceu tanto que precisaram se mudar
para uma casa maior na rua da Liberdade, onde atualmente é a Casa de Portugal.
![]() |
| Grupo posa para foto em frente a sede da delegação da Frente Negra Brasileira (FOTO/ Acervo Biblioteca Nacional) |
A
adesão ao movimento frentenegrino expandiu de maneira tão rápida que, em menos
de um ano, a entidade já estava no interior paulista. Não demorou muito para
que suas ideias ganhassem adeptos em outros estados, como Rio de Janeiro,
Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Não
há consenso entre os especialistas sobre quantos filiados aderiram ao movimento.
Alguns calculam que podem ter sido 50 mil. Outros estimam números entre 100 mil
e 200 mil.
“Além
da ausência de políticas públicas para essa população no período pós-abolição,
o que a destinava ao desemprego ou aos subempregos, havia também uma situação
de precariedade na área de saúde, com muitos casos de tuberculose”, diz Márcio
Barbosa.
A
entidade possuía diversos departamentos. Segundo especialistas, o da instrução
se destacou ao oferecer aulas de alfabetização para crianças e turmas noturnas
para adultos.
![]() |
| Crianças na escola da Frente Negra Brasileira (FOTO/ Arquivo pessoal de Márcio Barbosa) |
“A
educação era um pilar fundamental da proposta frentenegrina de elevação moral,
intelectual e social da população negra. Por meio da educação, homens e
mulheres poderiam superar a situação de marginalização, ganhar respeitabilidade
e participar ativamente do cenário político”, afirma o autor.
Para
escrever seu livro, Márcio Barbosa ouviu o depoimento de cinco frentenegrinos.
Nas conversas, ficou evidente na memória deles o impacto da FNB nas situações
mais cotidianas.
“Para
essas pessoas, a situação econômica era um obstáculo, mas, a partir de sua
inserção na FNB, elas conseguem fazer a associação dessa situação econômica com
o racismo estrutural e conseguem sair do plano individual para o coletivo”, diz
o autor.
“Aristides
Barbosa afirma, por exemplo, que para ele a FNB era uma segunda casa, ele ia
para lá todas as noites. Lá ele encontrava um local de sociabilidade, de
convivência, afinal havia palestras, saraus, apresentação de peças teatrais,
entre outras coisas”, afirma o escritor.
A
entidade chegou a ter também uma banda e um time de futebol, além de oferecer
assistência jurídica e médica e promover atividades culturais.
Mulheres
negras tiveram papel fundamental na formação da associação. Entre os diversos
grupos que elas criaram dentro da FNB, havia um voltado para promover
atividades lúdicas, artísticas e culturais, chamado Rosas Negras. Outro
fomentava atividades assistencialistas, tais como ações beneficentes.
![]() |
| Grupo Rosas Negras (FOTO/ Arquivo pessoal de Márcio Barbosa) |
“Francisco
Lucrécio também fala da importância das Rosas Negras e da mulher em geral para
a FNB. Ele afirma que elas eram maioria e que tinham mais condições do que os
homens de arcar com as mensalidades da associação, pois tinham mais ofertas de
emprego trabalhando como cozinheiras”, diz Márcio Barbosa.
Ainda
assim, não ocupavam cargos de diretoria, o que mostra que sua participação em
postos de poder ainda estava submetida a uma lógica de exclusão, segundo o
autor.
A
imprensa também teve papel importante na época, tanto que, em 1933, a Frente
Negra criou o seu próprio jornal, chamado “A Voz da Raça”.
A
FNB compreendia sua luta em termos nacionalistas, por entender que a população
negra era a mais brasileira de todas. Segundo Márcio Barbosa, essa concepção se
deu por causa de seu primeiro presidente, Arlindo Veiga dos Santos, que tinha
uma ideologia monarquista e era anticapitalista e anticomunista.
“Arlindo
também tinha amizade com o integralista Plínio Salgado, por isso se tornou
comum dizer que a FNB apoiava o integralismo”, afirma.
“Por
outro lado, é interessante notar que vários personagens brancos conhecidos, e
que foram integralistas ou simpatizantes, não tiveram sua imagem ligada a essa
corrente ideológica tão intensamente como a FNB tem tido”, diz. “Temos uma
tendência de julgar o passado a partir da nossa experiência presente,
utilizando as mesmas referências”, afirma.
Para
Petrônio Domingues, na Frente Negra nunca existiu um pensamento único. Ela
reunia várias tendências e uma diversidade de ideias e pensamentos a ponto de
ter socialistas, comunistas, monarquistas, fervorosos getulistas e
anti-getulistas.
Na
Revolução Constitucionalista de 1932, por exemplo, um setor minoritário da FNB
apoiou São Paulo contra Getúlio Vargas. O episódio fez com que houvesse uma
divisão entre seus membros, e do racha surgiu a Legião Negra.
Como
última ação da entidade, em 1936, os frentenegristas criaram um partido
político. Um ano depois, porém, Getúlio aboliu todos os partidos.
Segundo
os especialistas, o episódio foi crucial para o destino da entidade. “Depois do
decreto de Getúlio, a FNB encerrou suas atividades. Francisco Lucrécio,
entretanto, não atribui só ao fato político o fim da FNB, mas também ao
esgotamento físico e mental de seus membros”, diz Márcio Barbosa.
Após
o episódio houve ainda uma tentativa de criar uma nova entidade chamada União
Negra para dar continuidade ao trabalho da FNB, mas ela não vingou.
_______________________
Por Priscila Camazano, publicado na Folha de S. Paulo e reproduzido no Geledés.
18 de setembro de 2021
Documentário celebra os 100 anos de nascimento de Paulo Freire
![]() |
| (FOTO/ Reprodução). |
Na
semana em que se comemoram os 100 anos de nascimento de Paulo Freire, a TV
Cultura exibe documentário inédito sobre o educador pernambucano. Apresentada
pelo jornalista e diretor Leão Serva, a produção vai ao ar neste sábado
(18/09), às 22h. O livro “Pedagogia do oprimido” é um marco na
obra de Freire, grande pensador brasileiro das ciências humanas e um dos
educadores mais reconhecidos no mundo.
Ele
foi professor das universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e Cambridge, na
Inglaterra, e recebeu cerca de 40 títulos de doutor honoris causa em
universidades, entre elas Oxford, na Inglaterra, e Coimbra, em Portugal. “Paulo
Freire, 100 anos” reúne os principais estudiosos da obra do pensador
para explicar a sua importância e, ao mesmo tempo, os motivos de ele ter se
tornado vítima de tantos ataques extremistas.
Paulo
Freire foi preso pela ditadura militar por ser considerado subversivo,
perigoso, inimigo do povo e de Deus. Seu exílio de 16 anos começou pela
Bolívia, em 1964, ano do golpe militar, e, de certa forma, enriqueceu sua obra,
baseada nas experiências dele pelo mundo. No Chile, ele concebeu a teoria da
pedagogia do oprimido.
Na
Suíça, onde trabalhava para o Conselho Mundial de Igrejas, ganhou projeção
mundial e participou da alfabetização de populações pobres no continente
africano. Com a anistia e o retorno ao Brasil, Paulo Freire continuou a
produzir obras importantes, como a “Pedagogia da esperança”, e retomou
as aulas e atividades na universidade.
____________
Com informações do EM.
17 de setembro de 2021
Após repercussão, livro republicado pela Companhia das Letras que mostra crianças em navio negreiro, é retirado do mercado
![]() |
| (FOTO/ Reprodução). |
A
Companhia das Letras se manifestou em nota com um pedido de desculpas no último
sábado (11), sobre a repercussão do livro infantil Abecê da Liberdade. A obra
conta a história do abolicionista Luiz Gama, mas narra em primeira pessoa
relatos de diversos momentos supostamente vividos por Gama durante a
escravização na infância, como se não se tratasse de uma vivência traumática e
amedrontadora, usando tons de ironia.
“Lamentamos
profundamente que esse ou qualquer conteúdo publicado pela editora tenha
causado dor e/ou constrangimento aos leitores ou leitoras. Assumimos nossa
falha no processo de reimpressão do livro, que foi feito automaticamente e sem
uma releitura interna, e estamos em conversa com os autores para a necessária e
ampla revisão”, diz um trecho da nota, que também afirma que a edição já está
fora de mercado e não voltará a ser comercializada.
A
obra é de autoria de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta, com
ilustrações de Edu Oliveira. A reimpressão foi publicada em 2020, sem
alterações, e foram vendidas cerca de duas mil cópias em todo o Brasil. Mas, o
livro foi lançado originalmente em 2015 pelo selo Alfaguara da Editora Objetiva,
e automaticamente incorporado ao catálogo da Companhia das Letrinhas quando a
Objetiva foi adquirida pelo grupo.
Em
um trecho específico, o narrador conta em primeira pessoa como teria sido a
viagem de Gama em um navio negreiro da África até a América quando criança,
descrevendo brincadeiras como se os personagens estivessem em um ambiente leve.
No entanto, se tratava de um espaço insalubre, com condições precárias e muitas
mortes pelo caminho, não um local para brincadeiras lúdicas.
“Eu, a Getulina e as outras crianças
estávamos tristes no começo, mas depois fomos conversando, daí passamos a
brincar de pega-pega, esconde-esconde, escravos de Jó (o que é bem engraçado,
porque nós éramos escravos de verdade), e até pulamos corda, ou melhor, corrente”,
diz o trecho, que também traz uma ilustração das crianças brincando.
![]() |
| Página do livro Abecê da Liberdade. |
Em
entrevista ao portal UOL, Marcus Aurelius Pimenta explicou que a produção do
livro não foi acompanhada por nenhum especialista ou autor negro. Já Torero
afirma que o livro é um romance histórico para crianças, uma obra de ficção,
onde não há a busca de exatidão histórica.
Em
suas redes sociais, o doutorando em Literatura, Cultura e Contemporaneidade na
PUC-RIO, Davi Nunes, que também é escritor do livro infantil “Bucala: a pequena princesa do Quilombo do
Cabula”, opinou sobre o caso.
“Os dois escritores antipretos fabulam,
gozam, regozijam-se, romantizam toda a nossa desgraça, horror e violência
extrema que vivemos nos séculos de escravidão e que vivemos até hoje nesse país”,
escreveu “Há de se notar que quando a
polícia chega na favela e atira em jovens e crianças negras como se fossem
baratas, coisas, objetos descartáveis, esse imaginário sobre pessoas negras
feito por esses escritores brancos já engatilhou a arma e o resultado a gente
já sabe qual é. Ainda utilizaram o nome sagrado de Luiz Gama para propagar toda
a perversão e violência que está entranhada no livro que escreveram”.
Editora Malê se desliga de projeto
da Companhia de Letras
Com
a repercussão do caso, a Editora Malê comunicou em nota nesta segunda-feira
(13) o seu desligamento do projeto “Por
uma escola afirmativa: construindo escolas antirracistas”, idealizado pela
Editora Companhia das Letras e do qual participa um coletivo de editoras. A
Malê edita literatura afro brasileira com o objetivo de colaborar com a
ampliação da diversidade do mercado editorial brasileiro.
“Entendemos como ofensiva à dignidade e à
história da população negra brasileira a publicação “ABECÊ da Liberdade: a
história de Luiz Gama” […]. O livro, voltado para as crianças, relativiza os
horrores da escravidão e os horrores dos navios negreiros — conhecidos também
como tumbeiros”, diz um trecho da nota.
“A Malê reafirma o seu compromisso com as
vidas negras, com uma educação antirracista — que se coloca anterior à questão
mercadológica. Repudiamos a desumanização dos indivíduos negros na literatura e
entendemos que práticas discursivas racistas (inclusive na literatura) refletem
diretamente na permanente situação de vulnerabilidade à morte em que vive a
população negra”, finaliza.
__________________
Por Andressa Franco, publicado originalmente na Revista Afirmativa.
Documentário conta história de Zélia Amador, 1ª reitora negra de uma universidade
![]() |
| (FOTO/ Divulgação). |
Um
dos nomes mais expoentes na luta antirracista e pelos direitos da população
negra, a paraense Zélia Amador de Deus terá um filme em sua homenagem. O
curta-metragem “Amador, Zélia”, de gênero documental, narra suas vivências
enquanto mulher negra. Referência também na luta dos povos quilombolas,
indígenas e pessoas LGBTQIA+, Zélia terá sua história mais conhecida nas telas
partir desta segunda-feira (13).
Filha
de uma empregada doméstica natural da ilha do Marajó, no Pará, Zélia Amador é
professora da Universidade Federal do Pará, coordenadora da Assessoria de
Diversidade e Inclusão Social, atriz, diretora de teatro e ativista do
Movimento Negro. Foi uma das fundadoras do Centro de Estudo e Defesa do Negro
no Pará (Cedenpa) e do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM-UFPA). Foi
presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negro, participou da
criação do sistema de cotas negras nas universidades e, dentro do ambiente
acadêmico, recebeu o título de primeira reitora negra do país.
Para
retribuir a sua contribuição e espalhar os seus feitos - principalmente em
tempos de conservadorismo e retrocessos políticos -, o diretor Glauco Melo e o
roteirista Ismael Machado fundem os relatos da homenageada com recortes de sua
vida em uma dramatização simulando um monólogo teatral e inserção de animações.
Ao todo, o filme conta com 24 minutos.
Em trailer divulgado nas redes sociais, é possível ouvir um trecho da fala de Zélia pontuando a sua relação com a autoestima, enquanto mulher negra, e seu processo de aceitação. “O black power foi a minha libertação. O meu cabelo cresceu, foi-se. Bem, eu tinha orgulho do meu black, aí passei a me aceitar e a entender que esse meu corpo tem uma história, história de um povo que foi vilipendiado, história de um corpo que carrega história”, conta.
Para
esses e outros depoimentos, o filme estará disponível a partir das 19h, de
forma gratuita, no canal do YouTube da produtora Floresta Urbana. “Amador,
Zélia” contou com incentivo da Lei Aldir Blanc, via Secretaria de Cultura do
Pará. Assista pelo no canal da produtora Floresta Urbana.
__________
Com informações do Alma Preta.
16 de setembro de 2021
Mulheres indígenas ocupam Brasília em marcha histórica; STF retoma julgamento
Nesta
quarta-feira (15), volta para a pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) a
votação sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil. Na sessão realizada
na última quinta-feira (9), o ministro Edson Fachin, relator da matéria, votou
contra o marco temporal e defendeu que a posse indígena é diferente de posse
civil. Além disso, ele reafirmou o caráter fundamental dos direitos
constitucionais indígenas, que ele caracterizou como cláusulas pétreas. Na
sexta-feira (10), mulheres indígenas fizeram uma grande marcha com mais de
cinco mil mulheres de diversas etnias. Na ocasião, elas atearam fogo em um
boneco do presidente Jair Bolsonaro.
A
sessão desta quarta-feira está prevista para começar às 14h. Essa é a sexta
sessão do julgamento, nos territórios indígenas e em Brasília, os povos seguem
mobilizados
Marcha histórica
A 2ª Marcha das Mulheres Indígenas foi
realizada depois de ter seu cronograma oficial alterado. A marcha deveria ter
ocorrido na quinta-feira (9), mas devido a intimidações provocadas por
bolsonaristas, o ato foi adiado.
O
percurso também foi alterado. Previsto, inicialmente, para ter oito
quilômetros, o ato se alongou para 11 quilômetros e antes de saírem em uma
marcha histórica, as mulheres foram até a quadra 703 da Asa Sul, na W3, local
onde o indígena Galdino Jesus dos Santos foi queimado enquanto dormia em uma
parada de ônibus por ter se perdido dos seus parentes, em 20 de abril de 1997.
O
integrante da etnia Pataxó Hã-Hã-Hãe, foi assassinado por jovens de classe
média brasiliense que alegaram que seria “uma brincadeira”.
Há
semanas, mais de cinco mil indígenas estão acampados na Esplanada dos
Ministérios para pressionar o governo pela não aprovação do marco temporal,
tese defendida, sobretudo, por integrantes do setor do agronegócio.
Quais os próximos passos da
votação?
Para
a sessão desta quarta-feira (15) está previsto o voto do ministro Nunes
Marques. Para Samara Pataxó, coordenadora jurídica da Articulação dos povos
indígenas do Brasil (Apib), o ministro “vai entrar no mérito do seu voto, no
qual ele pode concordar com o voto do relator, o que seria muito positivo para
os direitos territoriais dos povos indígenas, mas pode também divergir, no todo
ou em parte, do voto do ministro relator”.
Depois
do voto do ministro Nunes Marques, serão aguardados os votos dos outros oito
ministros. No entanto, eles podem podem solicitar uma nova suspensão do
processo para análise, o que é chamado de “vistas do processo”.
O
último a votar deve ser o presidente do STF, ministro Luiz Fux, isso depois que
todos os ministros votarem.
Veja alguns pontos sobre o marco temporal:
O que é o marco temporal?
O
projeto prevê que os indígenas somente teriam direito às terras que estavam em
sua posse ou sob disputa judicial até o dia da promulgação da Constituição
Federal foi promulgada, no dia 5 de outubro de 1988.
Por que está se discutindo o marco
temporal atualmente?
O
processo começou com o chamado Recurso Extraordinário com repercussão geral
(RE-RG) 1.017.365, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação é um
pedido de reintegração de posse movido pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa
Catarina (IMA) contra a Funai e o povo Xokleng.
A
terra em disputa reivindicada pelo IMA é a TI Ibirama-Laklanõ. O território
além de ter tido o seu tamanho original reduzido já foi ratificado por estudos
antropológicos da Funai.
Por que esse julgamento é central
para o futuro dos povos indígenas no Brasil?
Em
decisão do dia 11 de abril de 2019, o plenário do STF reconheceu por
unanimidade a “repercussão geral” do julgamento do RE 1.017.365. Isso significa
que o que for julgado nesse caso servirá para fixar uma tese de referência a
todos os casos envolvendo terras indígenas, em todas as instâncias do
Judiciário.
Há
muitos casos de demarcação de terras e disputas possessórias sobre TIs que se
encontram, atualmente, judicializados. Também há muitas medidas legislativas
que visam retirar ou relativizar os direitos constitucionais dos povos
indígenas. Ao admitir a repercussão geral, o STF reconhece, também, que há
necessidade de uma definição sobre o tema.
Um
processo movido pelo Instituto do Meio a Ambiente de Santa Catarina (IMA) pode
afetar o futuro dos povos indígenas do Brasil.
O que está em jogo?
O
reconhecimento ou a negação do direito mais fundamental aos povos indígenas: o
direito à terra.
_______
Com informações da RBA.











