5 de outubro de 2026

Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, o número é o maior desde 1998

 

Número representa mais de um em cada cinco eleitores aptos a votar e supera a taxa registrada no primeiro turno de 2022. (FOTO | Reprodução).

Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026. Com 99,87% das urnas apuradas às 22h18 de domingo (4), a Justiça Eleitoral registrava uma taxa de abstenção de 21,07% entre os 158,7 milhões de eleitores aptos a votar.

O percentual coloca a eleição deste ano entre as que tiveram maior número de ausências no primeiro turno desde a redemocratização. O índice só não supera o registrado em 1998, quando 21,49% dos eleitores deixaram de votar. Naquele ano, foram 22,8 milhões de pessoas ausentes.

Em 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) disputaram a Presidência, a abstenção no primeiro turno foi de 20,79%, equivalente a cerca de 32,7 milhões de eleitores. Desde 2006, a participação nas urnas apresenta uma tendência de queda, com aumento acumulado de 4,2 pontos percentuais na taxa de abstenção.

Dos eleitores que foram aos locais de votação neste domingo, 2,3 milhões registraram voto em branco para presidente, o equivalente a 1,84%. Outros 3,6 milhões anularam o voto, correspondendo a 2,93%. Somados, os votos brancos e nulos representaram 4,77% do eleitorado.

O percentual também ficou acima do registrado na eleição presidencial anterior. Em 2022, brancos e nulos representaram, juntos, 4,25% dos votos, sendo 1,43% de votos em branco e 2,82% de votos nulos.

Quem mais deixa de votar

Embora os dados específicos sobre o perfil dos eleitores que não compareceram às urnas em 2026 ainda não tenham sido divulgados, levantamentos anteriores ajudam a identificar os grupos em que a ausência costuma ser maior.

Segundo o pesquisador Felipe Nunes, do instituto Quaest, a escolaridade é um dos fatores relacionados à participação eleitoral. A abstenção tende a ser maior entre pessoas com menor nível de escolaridade do que entre eleitores que concluíram o ensino superior.

Os levantamentos também apontam diferenças de acordo com idade e gênero. Em boa parte das faixas etárias adultas, homens apresentam taxas de ausência superiores às das mulheres. Entre pessoas com mais de 70 anos, a tendência de não comparecimento aumenta.

Dados da Justiça Eleitoral referentes a 2022 mostram que a abstenção também foi mais elevada entre eleitores de 21 a 29 anos e aqueles com mais de 70 anos. Para quem tem mais de 70, o voto é facultativo.

A escolaridade aparece novamente como um dos principais fatores. Entre eleitores analfabetos, que também não são obrigados a votar, a ausência chegou a 52% no primeiro turno de 2022 e a 49,3% no segundo. Entre aqueles com ensino superior completo, a taxa foi de 12,4%.

Na reta final da campanha, o presidente Lula chegou a fazer apelos para que eleitores mais velhos comparecessem às urnas, inclusive utilizando os netos como argumento para estimular a participação.

Diferenças entre os estados

A taxa de abstenção também variou significativamente entre os estados brasileiros.

Mato Grosso do Sul apresentou o maior percentual de eleitores ausentes, com 23,87%. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 23,32%; Minas Gerais, com 22,79%; e São Paulo, com 22,54%.

Nos quatro estados, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu mais votos do que Lula no primeiro turno.

Já o Ceará registrou a menor taxa de abstenção do país, com 15,52%. Roraima teve 17,12%, seguido pelo Piauí, com 17,16%, e Sergipe, com 17,30%. Com exceção de Roraima, Lula foi o candidato mais votado nesses estados.

Quem faltou pode votar no segundo turno?

O eleitor que não compareceu ao primeiro turno não fica impedido de participar do segundo. Para votar, é necessário que o título eleitoral esteja regularizado.

A experiência de 2022 mostrou que a ausência pode mudar entre as duas etapas. Naquele ano, a abstenção caiu de 20,79% no primeiro turno para 20,57% no segundo. Foi a primeira vez que houve redução da taxa de faltosos entre as duas rodadas de uma eleição presidencial.

Na ocasião, especialistas relacionaram a mudança à disputa acirrada entre Lula e Bolsonaro, que levou os dois candidatos ao segundo turno.

Os números de 2026 reforçam a importância de acompanhar não apenas o resultado dos votos registrados nas urnas, mas também o tamanho do eleitorado que decidiu não participar da votação. Com mais de um quinto dos eleitores ausentes no primeiro turno, a abstenção se consolida como um dos principais fatores a serem observados na reta final da eleição.

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Com informações do Notícia Preta.

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