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| Alexandre Lucas. (FOTO | Acervo pessoal) |
Por Alexandre Lucas, Colunista
O papel amassado no bolso não guarda nenhum segredo; serve apenas para dar a sensação de que não anda de bolsos vazios. Estava escrevendo receitas de milagres para vender na porta do cemitério. Os dias estão miúdos de fartura e felicidade. Restam os papéis amassados no bolso.
Tomo uns goles de água com limão para amansar a garganta irritada. Entre umas tossidas e fungados, o dia vai passando. Os papéis amassados vão se amontoando.
À noite, busco na geladeira o bolo de cenoura com cobertura de chocolate, enquanto retiro papéis amassados e escuto retalhos do tempo. Parece que a saudade ainda escava as veias. Toco fogo nos papéis para aquecer por alguns instantes a noite tossida.

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