Museu da África: A história contada pelos protagonistas



Continente com maior número de países, a África abriga ao todo 54 nações e é considerada o berço da humanidade. O local ainda possui uma das maiores diversidades étnicas de todo o planeta, que pode ser percebia nas mais diferentes culturas adotadas pelos povos que habitam suas cinco regiões.

O que não falta em África é história, esta que segue uma linha cronológica de milhares de anos até contemporaneidade, ao mesmo tempo em que planeja um futuro com ainda mais protagonismo. Para conhecer esta bela e profunda história da maneira mais interessante possível nada melhor do que pelo ponto de vista africano. Por isso indicamos os 10 museus mais interessantes que os viajantes não podem deixar de visitar no continente:

Popularmente chamado de Museu do Cairo, o prédio inaugurado em 1902 o prédio possui ao todo 120 mil itens que contam a história do Egito Antigo. Foto: Reprodução.
Museu egípcio – Cairo, capital do Egito, é um dos lugares mais misteriosos e intrigantes do mundo. Terra de lendas, mitos e mercados movimentados, a cidade abriga em suas ruas estreitas e de tráfego pesado um dos museus mais interessantes do continente. Popularmente chamado de Museu de Cairo, o prédio, inaugurado em 1902, possui ao todo 120 mil itens que contam a história do Egito antigo e é o lar do maior número de peças da era faraônica. O catálogo conta com tesouros do Rei Tutankhamon, faraó do Egito antigo, que fascinam os pesquisadores pelo fato de ter morrido precocemente (c. 1346 a.C. – 1327 a.C), ser enterrado e um túmulo relativamente simples e principalmente por ser uma das poucas sepulturas reais encontradas quase intactas.

Locado em Gana, o espaço tem como objetivo
criar uma nova era no meio cultural ganense.
Nubuke Foundation – Localizado em Gana, o espaço tem como objetivo criar uma nova era no meio cultural ganense. Em Ewe, uma das línguas oficiais do país, ‘nubuke’ significa ‘novo amanhecer’, título que ilustra bem este intuito. Estabelecido em uma charmosa casa cercada por árvores, o centro cultural não está na lista de suntuosos museus africanos, contudo marca presença aqui por incentivar, usando como trunfo práticas artísticas de um ponto de vista local sobre a história e a arte de Gana, evitando o clichê das versões contadas e curadas majoritariamente por estrangeiros. Entre obras que unem a arte do barro com as novas técnicas de esculturas, exposições que propõem o encontro entre videoarte e fotografia e galerias de artes plásticas, a fundação artística está sempre presenteando o mundo com os novos olhares africanos.

Concretizado a partir de doações de clientes e artistas, o museu contribuiu para o desenvolvimento social e cultural do país. Foto: Divulgação.
Museu Zinsou – Localizado na parte ocidental da África, o Benim tem pouco mais de oito milhões de habitantes e forte ligação com o Brasil. Hoje, o país é dono de um dos museus mais interessantes de toda a África. Criado há pouco mais de um ano pela Fundação Zinsou, o Museu Ouidah se tornou o maior museu de arte contemporânea do continente. Localizado na cidade de mesmo nome, o prédio traz ainda mais brilho para a já charmosa vila portuária, conhecida no Brasil por sua arquitetura que lembra muito Salvador e pela forte presença de afro-brasileiros que voltaram em busca de suas raízes, trazendo consigo sua cultura e tradições aprendidas no Brasil. Concretizado a partir de doações de clientes e artistas, o museu está se tornando referência no segmento e contribuindo para o desenvolvimento cultural e social da região, por meio da educação e do incentivo a criação artística e expositiva.

Referência em artes visuais no leste da África, a galeria se dedica a promoção das práticas artísticas inovadoras e contemporâneas do Quênia. Foto: Divulgação.
Kuona Trust – Referência em artes visuais no Leste da África, a galeria se dedica a promoção das práticas artísticas inovadoras e contemporâneas do Quênia. Organização sem fins lucrativos, o Kuona foi fundado em 1995 e promove o trabalho de cerca de 500 artistas, além de capacitar outros milhares.

Com o quê de abstrato, as milhares de estátuas formam o Museu Tengenenge, criado em 1996 e que já recebeu
obras de três gerações de artistas. 
Tengenenge – Em uma pequena vila do Zimbabwe entre o centro e o norte está localizado um lugar mágico e repleto de esculturas de pedra serpentina que podem chegar até dois metros de altura. Com um quê de abstrato, os milhares de estátuas formam o Museu Tengenenge, criado em 1996 e que conta com obras de três gerações de artistas. Tengenenge é fruto da criatividade de 150 famílias artistas. O local, uma verdadeira plantação de esculturas, é um dos mais renomados do país e possui como filosofia o não uso de aparelhos elétricos na confecção das obras e a autoaprendizagem. Vale a pena conhecer.

Situado na segunda maior cidade de Burkina Faso, Bobo - Dialasso, um pequeno e rico museu conta a história da música tradicional do país. 
Museu da Música – Inegavelmente a música é um dos pontos fortes da África, isso pela sua diversidade e variação de gêneros. Pois em Burkina Faso toda esta efervescência está documentada no Musée de La Musique. Situado na segunda maior cidade de Burkina, Bobo-Dioulasso, este pequeno museu, com cinco salas acanhadas é dono de uma coleção de mais de 40 tipos de instrumentos tradicionais.

Para explicar os caminhos percorridos pela música no país, os visitantes têm acesso a um documentário e complementam o aprendizado quando entram em contato com instrumentos únicos como tambores, flautas e os famosos djembes. Em sua humildade, o Museu da Música de Burkina Faso brinda o público com uma rica e valiosa coleção.

Museu do Apartheid – Durante muito tempo Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, viveu momentos tristes de racismo e intolerância onde brancos e negros eram proibidos de se “misturarem”. Este tempo que perdurou por 40 anos ficou conhecido como apartheid (vidas separadas em africâner), período que é documentado em um museu homônimo e parada obrigatória para os que querem entender melhor a história.

No museu, a linha do tempo da segregação racial é contada de forma didática e interativa. Tudo é muito real e forte. Logo na chegada, para sentir o que era ser negro ou branco naquele tempo, o visitante recebe um bilhete que levando em consideração sua cor de pele, lhe dá acesso a entradas diferentes. Com inúmeras referências a Nelson Mandela, símbolo da luta contra o regime, o museu é extenso e exige bastante disposição, pois há muito que se ver, sentir e refletir.

Village Museum – Formado com o objetivo de demonstrar e preservar a cultura dos grupos étnicos da Tanzânia, o museu localizado na cidade de Dar Es Salaam apresenta um importante registro histórico da arquitetura do país. Pensado para abrigar as artes a céu aberto, o espaço reconstituiu as variadas habitações de cada uma das populações nacionais, revelando as tecnologias indígenas utilizadas durante sua construção.

Integram o acervo as seguintes comunidades tradicionais: os Wazaramo, predominantemente islâmicos e habitantes da costa de Dar Es Saalam, os Nayambo, pessoas de língua Bantu, conhecidos pelas habilidades de confecção de cerâmica, os Maasai, grupo étnico Nilotas seminômade e original da região no Nilo, os Gogo, que vivem na região de Dodoma, no centro da Tanzânia, em casas sustentadas por estacas de madeira e suplementadas por galhos mais finos e por fim os Fipa, também de língua Bantu e habitantes do sudoeste do planalto da Tanzânia.

Museu Maropeng – Como foi abordado no início, o continente africano é considerado o berço da humanidade. Precisamente em Sterkfontein está um museu que dá aos visitantes a chance de reviver a história desde o nascer da primeira célula até o desenvolvimento das 1.3 milhões de espécies em todo o mundo. Interativo e com toques de modernidade (com direito a passeio de parco dentro da exibição) o espaço é casa do mais antigo fóssil do mundo, Little Foot, que habitou as cavernas da região e acabou desbancando Lucy, da Etiópia na corrida de “precursor” da raça humana.

Galeria de Arte Matisse – O espaço que fica em Marrakech, no Marrocos, possui 12 anos de vida e é uma instituição reconhecida dentro e fora do país. O local foi fundado com o objetivo de promover a arte marroquina e desenvolve trabalhos que servem de plataforma para artistas contemporâneos. Os ambientes são tomados por quadros, poltronas e obras diversificadas que ilustram a riqueza da cultura local.





Conheça a professora Angela Davis – A Pantera Negra



Angela Davis é uma mulher muito digna, e também muito bonita, uma mulher de 70 anos. É professora de filosofia na Universidade de Santa Cruz, que fica entre São Francisco e Monterey, na Califórnia. Está tranquila. Ensina a seus estudantes as teorias de Karl Marx, Herbert Marcuse, Mikhail Bakunin. Quando substituímos o penteado comportado de hoje pelo black power, que se parece com uma formidável auréola negra no meio da qual estava encaixado um rosto bastante puro, então lembramo-nos de seu nome. Essa professora já idosa de Santa Cruz chama-se Angela Davis. Há 40 anos, ela foi uma das pessoas mais célebres do mundo. Uma das mais detestadas. Uma das mais admiradas.

Ela adotou o penteado dos rebelados no Quênia e fez do penteado Afro um simbolo do orgulho negro. Foto: Melloul/Corbis/Latinstock.
Deus ou Diabo

O mundo se dilacerava em torno de Angela. Em Paris, 100 mil pessoas desfilavam na rua gritando seu nome, atrás de Jean-Paul Sartre e do poeta Louis Aragon. Na Inglaterra, os Beatles e os Stones entusiasmavam as multidões cantando "a pantera negra". Na mesma época, nos Estados Unidos, o presidente Richard Nixon a amaldiçoava. Ronald Reagan, governador da Califórnia, tentou expulsá-la para sempre de qualquer universidade do estado. O chefe do FBI, Edgar J. Hoover, lançava suas tropas para caçá-la e jogá-la em uma prisão de isolamento absoluto. Essa era Angela Davis: um Diabo ou um Bom Deus. Hoje, quase meio século depois, ela não renegou nada. Está intacta.

Ela nasceu em 1944, em Birmingham, no Alabama. Não é um bom lugar para nascer quando se é negra. A América daquela época, pelo menos o sul, odiava os negros: rixas, linchamentos, Ku Klux Klan. Os pais de Angela faziam parte da pequena burguesia - o pai era professor de história na escola secundária, mas recebia tão pouco que pediu demissão para abrir um posto de gasolina; a mãe ensinava na escola primária. Eram comunistas. Moravam no bairro de Dynamite Hill. Por que esse nome? Os brancos não aceitavam que negros se instalassem próximos a eles. De tempos em tempos, as casas explodiam.

Aos 12 anos, Angela participa do boicote a um ônibus que praticava segregação. Dois anos mais tarde, graças a uma bolsa, ela vai para Nova York e continua seus estudos em um liceu de esquerda chamado Little Red School House. A moça é brilhante. Radicaliza-se. Entra na Universidade de San Diego, na Califórnia, e ali começa a militar contra a Guerra do Vietnã. Primeira prisão.

Mas é um pouco solitária. Mesmo nos movimentos negros não encontra seu lugar. Eram duas as tendências dominantes: uns sonhavam com revoltas negras hiperviolentas, como as de Watts ou as de Detroit. Do outro lado, Martin Luther King, personagem suave e brilhante, preferia "o integracionismo". Angela rejeita as duas posições. A única saída que ela vê é o marxismo, a luta política cujo horizonte apenas o socialismo ilumina. Mas a maioria de seus amigos negros rejeita o marxismo, tido como "doutrina de homem branco". Além do mais, ainda que Angela Davis seja marxista, ela não deseja aderir ao comunismo oficial.


Black Panther

Finalmente, ela adere ao Black Panther Party, organização revolucionária que rejeita tanto o integracionismo quanto o separatismo. Criado em 1966 por Bobby Seale e Huey P. Newton, dois estudantes de Oakland, era para ser pacífico. No início, se chamavam de "os pombos". Mas o pombo, delicado e arrulhador, não estava dando certo. Influenciados por outro líder negro ilustre, Malcolm X, eles endurecem. Para responder com violência à violência dos brancos, adotam o símbolo da pantera negra.


Caçada

Em 1970, um pantera negra perigoso, George Jackson, estava encarcerado na prisão Soledad, na Califórnia, onde formava, com dois outros detentos, os "Irmãos de Soledad". Eram acusados de matar um guarda penitenciário branco em retaliação à execução de outros três detentos negros. Em agosto daquele ano, na alegada luta para denunciar os maus-tratos a negros nos presídios americanos, o irmão de 17 anos de George, Jonathan, invadiu o tribunal de Marin County e tomou o juiz Harold Haley como refém. Há luta. Quatro são mortos, inclusive Jackson e Haley. A polícia examina a arma. O relatório acusa: o fuzil de cano cortado cuja bala atingiu a cabeça do juiz pertencia a Angela Davis.

Estupor. O diretor do FBI, Edgar Hoover, lança seus exércitos à procura de Angela e a inscreve na lista das dez pessoas mais procuradas nos Estados Unidos, a famosa Lost Wanted List. Ela foge. Por quê? "Teria sido morta", diz ela hoje. Hoover manda prender centenas de mulheres que se parecem com ela. Sua foto está em todo lugar com a seguinte legenda de western: Armada e perigosa. Ela se disfarça. A polícia revista as comunidades negras. No sul do país, milhares de casas mostram este cartaz: Angela, nossa irmã, você é bem-vinda nesta casa. Mas o FBI tem mãos de ferro. Angela é presa em outubro em Nova York.


Reclusão

No exterior, um enorme movimento se ergue em seu favor, com as pessoas nas ruas. O poeta surrealista Jacques Prévert publica um texto belo com um choro: Angela em sua prisão escuta sem poder ouvi-las, e talvez sorrindo, as canções de seus irmãos de fé, de riso e de dor, e os refrões engraçados das crianças do gueto. Aqueles que enclausuram os outros sentem o enclausurado. Aqueles que estão enclausurados sentem a liberdade. (...) É preciso libertar Angela - enquanto não chega o dia em que serão condenadas todas as portas atrás das quais a vida negra está enclausurada.

Em Londres, Mick Jagger e Keith Richards cantam: Tem um doce anjo negro /Tem uma pin-up,/ Tem um doce anjo negro,/ Pregado na minha parede/ Bem, ela não é nenhuma cantora, ela não é nenhuma estrela/ Mas com certeza ela fala bem, com certeza ela se move rápido/ Mas essa garota está em perigo, ela está acorrentada (...) Não existe ninguém para libertá-la?/ Libertem a doce escrava negra/ Libertem a doce escrava negra.

Em Londres, outro canto é retomado por milhares de vozes. Este foi escrito por Yoko Ono: Irmã, você ainda é a professora do povo,/ Irmã, sua palavra chega longe/ Irmã, existem um milhão de raças diferentes,/ Mas todos nós dividiremos o mesmo futuro no mundo./ Eles te deram a luz do sol,/ Te deram o mar/ Te deram tudo menos a chave desta prisão,/ Sim, te deram café,/ Te deram chá/ Eles te deram tudo menos a igualdade.


Black is beautiful

Enquanto as multidões do mundo gritam seu nome, Angela permanece presa, em isolamento absoluto, durante 16 meses. "Eles queriam me quebrar, ela diria mais tarde. Me enlouquecer. Eu escrevi, refleti. Aprendi ioga nos livros. Vivi momentos muito duros, de angústia, de claustrofobia. E momentos de graça. Eu não podia desabar." Em 5 de janeiro de 1971, ela é acusada de assassinato, sequestro e conspiração pelo caso Marin County. Em 1972, é absolvida e, mais livre que nunca, se torna uma celebridade mundial. Em toda parte, aparece a longa silhueta da combatente, seu rosto de porcelana, a imensa cabeleira afro. Black is beautiful.

Às vezes imaginamos que Angela inventou esse penteado. Nada disso. O penteado afro lhe foi dado pela história. Ele vem das colônias italianas do Quênia, quando os negros rebelados rejeitam o cabelo liso europeu e criam o estilo afro, que, mais tarde, dará a volta ao mundo como um símbolo de orgulho negro, com o pente afro acabando em black fist colocado nos cabelos.

A prisão, o terror, o isolamento não destruíram Angela. Ela martela sua pregação mantendo-se distante tanto dos comunistas, que ela acha "psicorrígidos", quanto dos que defendiam o nacionalismo negro, com combates, criação de uma nação afro-americana ou mesmo a volta para a África.


Mulher e negra

A voz de Angela é quase única também por associar em uma mesma profecia a luta pela dignidade dos negros e a emancipação feminina. "Havia um machismo maciço, ela se lembra, tanto entre os comunistas quanto no nacionalismo negro. As mulheres não eram consideradas capazes de carregar a causa, de serem líderes." Seria não conhecer bem Angela acreditar que ela iria se limitar, nas organizações negras, à tarefa de passar o pano no chão ou preparar a marmita dos senhores.

Então será que ela vai adotar o combate das feministas americanas da década de 70? Meu Deus! "Mas essas mulheres eram burguesas demais para mim. Elas eram brancas e lutavam pelo direito ao trabalho e ao aborto. Mas as negras já tinham uma profissão. Elas eram domésticas. Minha concepção do feminismo é a de uma emancipação que vai além das fronteiras estabelecidas. As questões de sexualidade, de raça, de classe e de gênero estão intimamente ligadas."

E ela oferece esta bela fórmula: "Meu objetivo sempre foi encontrar pontos entre as ideias e derrubar os muros. E os muros derrubados se transformam em pontes". Inimigo, o raivoso Louis Farrakhan, chefe da Nação do Islã que organizou a Marcha do 1 Milhão em 1995, acusou Angela de ser lésbica. Por isso não. Em 1997, na revista Out, ela declara: "Sim, sou lésbica".


Longo caminho

A América mudou muito desde o tempo em que a menina de 12 anos boicotava um ônibus porque os negros não tinham o direito de andar ao lado dos brancos nos transportes públicos. Ângela reconhece os progressos. Em sua juventude, raros eram os negros no ensino superior. Hoje, eles são milhões. Mas a estrada é longa ainda, ela repete. Diante da observação de que uma coisa inacreditável aconteceu, a eleição de um negro para a Presidência dos Estados Unidos, ela modera o entusiasmo. "Hoje, ninguém na Casa Branca parece se preocupar com o fato de que 1 milhão de negros estão nas prisões americanas."

É assim que fala a mulher de Santa Cruz, em uma universidade dessa Califórnia que Nixon e Reagan juraram lhe proibir para sempre. Ela ensina Kant e Hegel, Platão, Merleau-Ponty e Theodore Adorno, Herbert Marcuse. Ela não usa mais o cabelo afro. Às vezes ela tem dreadlocks, essas mechas misturadas que se formam sozinhas quando os cabelos crescem naturalmente ou quando são antes trançados. Ela está ali, tranquila, resoluta, intratável. Ela foi um momento trágico da história dos Estados Unidos. Ela permanece um momento da história do mundo.

Capoeira é esporte, decide o Conselho Nacional do Esporte


Grupo "CultuArte" em roda de capoeira na EEEP Wellington Belém de Figueiredo, em Nova Olinda. Foto: Arquivo do Blog.

Chegou ao fim uma discussão que perdurava há tempos: capoeira é esporte. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional do Esporte (CNE), órgão consultivo do Ministério do Esporte. Como havia o entendimento de que capoeira é uma dança, a modalidade não podia ser beneficiadas por programas do Ministério do Esporte, como o Bolsa Atleta.

A capoeira é esporte, tem competições, são atividades importantes para o condicionamento físico. Crianças, adultos e idosos praticam a mesma para diminuir a obesidade e, principalmente, são atividades que têm federações e confederação. Já tinha aprovação do Conselho, mas ainda não havia a publicação do Ministério do Esporte de uma resolução a esse respeito”, comemorou Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação Física (CFEF).

A decisão que beneficia a capoeira também afeta outras artes marciais. A partir do momento que o Ministério do Esporte publicar resolução admitindo-as como modalidades esportivas, a pasta pode repassar recursos para confederações e atletas desses esportes. Atualmente, a capoeira não é incluída no Bolsa Atleta.



O jornalismo vai ser viral?, por Alana Maria


Alana Maria. Foto/facebook.
A contínua ascensão da internet em nossas vidas transformou, entre tantos outros serviços, trabalhos e aspectos, a experiência jornalística. Poder acompanhar as notícias de sua cidade, do país e do mundo a uma simples combinação de toques numa tela faz parte do cotidiano de muitas pessoas e, veja bem, isso é ótimo. Essas mudanças aproximaram o leitor da notícia, difundiram um maior nível de informações e possibilitaram a exploração e combinação de novas ferramentas para se contar histórias.

E com os benefícios, vieram também os desafios: como manter o jornalismo relevante diante de um cenário cada vez mais pulverizado? Como a reportagem ganha o interesse em meio às listas de gifs dos ‘24 gatinhos mais fofos da internet’? Como manter a qualidade e acompanhar a velocidade desse novo meio? Como fazer um jornalismo viral? Como rentabilizar a notícia na era digital? Essas questões vêm ecoando há algum tempo na cabeça de muitos repórteres e editores.


Alguns caminhos estão sendo testados: a correria nas redações para acompanhar a “novidade”, muitas vezes pulando etapas básicas de apuração, resultando em textos mau elaboradores, com informações falsas ou descontextualizadas. Erratas correm a torto e a direito nos grandes portais de notícia 24h. Essa já se mostrou desqualificada. Já estratégias Buzzfeed, The Huffington Post ou OMG Facts de artigos colaborativos, com um banco infinito de listas e mais listas com as ‘25 situações que só quem usa óculos vai entender’ e derivados, ou Dose.com e Hypeness com matérias recicladas diversas vezes por dezenas de outros grandes sites captam a atenção, perdem em qualidade, mas atraem likes, views e shares.

Em reportagem de fôlego, a The New Yorker explica o efeito:

No rodapé de uma postagem no Dose, em geral se vê um hat tip (H/T), uma pequena menção à fonte da informação. Muita gente nem nota, se é que o texto é lido até o fim. No primeiro dia de existência do site, a lista que fez mais sucesso trazia o título “Vinte e três fotos de pessoas do mundo todo e o quanto cada uma come por dia”. Era uma sacada inteligente da diversidade, mas também da desigualdade global. Um caminhoneiro americano segurava uma bandeja com hambúrgueres e frappuccinos do Starbucks, ao passo que uma mulher masai exibia 800 calorias em leite e mingau. Abaixo da última fotografia, um textinho em cinza dizia “H/T Elite Daily”. Era um link para uma postagem que o Elite Daily, um website nova-iorquino, havia publicado um mês antes (“Veja as diferenças incríveis no consumo diário de comida ao redor do mundo”), postagem esta que, por sua vez, provinha do UrbanTimes (“Oitenta pessoas, trinta países e quanto cada uma come por dia”). O UrbanTimescreditava a informação ao Amusing Planet (“O que as pessoas comem no mundo todo”), que, na realidade, apenas citara uma entrevista radiofônica de 2010 com Faith D’Aluisio e Peter Menzel, a escritora e o fotógrafo por trás daquele projeto – na verdade, um livro intitulado What I Eat.

Lançamento da ferramenta Instant Articles para editores pelo facebook/reprodução.
Se cada vez mais acessamos notícias pela internet, o destaque aqui fica para o local onde encontramos essas notícias: a maior rede social da atualidade, o Facebook. Em 2015, a empresa de Zuckerberg entrou no jogo do mercado de notícias e recentemente anunciou que todos os editores poderão criar e depositar seus conteúdos diretamente na rede social, a partir da nova ferramenta Instant Articles para dispositivos móveis.

A novidade promete atrair tanto o pleito de usuários quanto os editores pela sua facilidade de interação, rapidez no carregamento e nível de qualidade na experiência de leitura das matérias. Até então, acessar esse tipo de conteúdo a partir do Facebook podia ser lento e desastroso para os padrões da empresa, perdendo o leitor em menos de 10 segundos.

Agora mesmo você pode logar em sua conta e testar a ferramenta já estreada por alguns parceiros do projeto, The New York Times, BBC News, Buzzfeed, The Guardian The Huffington Post, Nacional Geographic, entre outros. Todo conteúdo poderá ser rentabilizado com venda de publicidade. Videos com auto-play, introdução de áudio no meio do texto e zoom interativo em fotos de auto resolução são algumas das vantagens.

Alguns analistas de medias sociais, designers e editores consideram a mudança mais uma estratégia na disputa dos espaços de informação na internet. É mais uma mutação desse jornalismo que vive em crise, quase sempre em estado frágil, mas que ainda não quebrou e se adapta.

Texto publicado originalmente no Cariri Revista

Menina prodígio de 10 anos se matricula em universidade



Esther Okade é uma criança britânica-nigeriana de 10 anos de idade, que odiava ir à escola. Esther mora em Walsall, uma cidade industrial na região de West Midlands, no Reino Unido. Sua mãe, Omonefe, notou o talento da filha para números logo depois que ela começou no maternal, aos 3 anos de idade.


A mãe conta que depois de algumas semanas na escola particular, Esther teve um comportamento estranho. Explodindo em choro ela dizia que nunca mais voltaria para a escola. “Eles nem me deixam falar” – reclamava Esther. Desde então Esther tem aulas em casa com a sua mãe. Ela adora álgebra, equações de segundo grau, números complexos, etc.

Foi super fácil. A minha mãe me ensinou de uma forma agradável – conta Esther

        

Desde os 7 anos Esther queria entrar para a universidade, porém seus pais eram cautelosos. Só agora ela realizou seu sonho. Com 10 anos de idade ela se matriculou na Universidade Aberta, uma faculdade de ensino à distância do Reino Unido. Além de seu prazer pela Matemática, Esther dedica também seu tempo em escrever uma série de livros de Matemática para crianças chamado “Yummy Yummy Algebra”.

Por que é dada importância e destaque para notícias como esta?

Matemáticos acabaram com a Segunda Guerra Mundial, matemáticos criaram sistemas de criptografia avançados; que hoje utilizamos em dispositivos móveis, protocolo de internet, senhas de bancos, rotadores de rede, e milhares de outras aplicações, cuja a importância se dá a contribuição de grandes gênios matemáticos.

Crianças com habilidades deste tipo, são selecionadas por universidades prestigiadas, que os preparam para os problemas teóricos do milênio, ou orientam em busca de um caminho em que darão contribuições significativas para o nosso mundo.

Estas universidades têm programas de ensino específicos para crianças com estas habilidades e veem nelas futuros gênios.

Forrozeiros reivindicam que São João se torne feriado nacional



Cerca de 20 dos principais nomes do forró tradicional nordestino estiveram hoje (17) nos ministérios do Turismo e da Cultura para pedir, entre outras reivindicações, empenho dos ministros Henrique Eduardo Alves e Juca Ferreira para que o dia de São João se torne feriado nacional.

O Ministro do Turismo, Henrique Alves, durante encontro com artistas e grupo de forró de nove estados brasileiros.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Atualmente, o São João, comemorado em 24 de junho, é feriado em alguns estados do Nordeste, como Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Paraíba. Em agosto de 2015, o deputado Valmir Assunção (PT-BA) apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados para que o feriado seja nacionalizado.

Gostaríamos que o São João se tornasse uma festa do calendário oficial do governo brasileiro, que o 24 de junho seja feriado nacional e que nós tenhamos força como movimento cultural do Brasil, porque o São João é a maior festa brasileira”, disse o cantor e compositor cearense Alcymar Monteiro.

Os artistas argumentam que, enquanto festas como o carnaval têm seus eventos concentrados em algumas poucas capitais brasileiras, o São João está mais presente nas pequenas cidades do interior. Com a nacionalização do feriado, os forrozeiros esperam que os governos de regiões com tradição mais tímida de festas juninas passem a investir mais na data.

Existe uma dificuldade do trabalhador de outras regiões que não o Nordeste em participar da festa”, disse o cantor baiano Adelmario Coelho, que lidera o movimento “São João – Um Novo Produto do Turismo Cultural para Unir o Brasil”.

Entre as principais queixas apresentadas pelos músicos durante a reunião com o ministro Henrique Eduardo Alves, está a descaracterização das festas juninas. Parlamentares das bancadas da Bahia e de Pernambuco também participaram do encontro.

Segundo os artistas, atualmente, grande parte do dinheiro investido nas festas juninas é destinado a bandas com músicas de apelo sexual, muitas vezes de objetificação da mulher. “Poucos controlam [os patrocínios], inclusive com conteúdo machista, e nós não podemos fortalecer isso com dinheiro público”, disse Coelho.

Garantia de recursos

O grupo que veio a Brasília está preocupado em garantir recursos para a realização das festas juninas deste ano, no momento em que diversas cidades brasileiras enxugaram o orçamento para o setor cultural. Dezenas de prefeituras cancelaram o apoio oficial ao carnaval deste ano, por exemplo.

Uma das principais reivindicações é que os artistas tenham maior inserção no Cadastur, do Ministério do Turismo, para que possam se beneficiar de programas como o Artista do Turismo, que paga cachês para shows por meio de convênios com os municípios.

O secretário de Turismo da Bahia, Nelson Pelegrino, sugeriu na reunião que o cadastro seja aprimorado para facilitar o acesso dos forrozeiros e que empresas públicas, principalmente bancos, repassem mais recursos de patrocínio às festas de São João.

Outra preocupação dos artistas é garantir que sejam liberadas emendas parlamentares destinadas a financiar o São João, tradicionalmente uma das principais fontes de recursos para as festas. No ano passado, devido ao atraso na aprovação do orçamento federal, o empenho dos recursos para as festas juninas foi prejudicado, segundo a senadora Lídice da Matta (PSB-BA).

Foram também colocados muitas condicionantes para que as emendas de promoção do São João fossem liberadas. Este ano esperamos que seja diferente, embora não tenha sido apresentado ainda nem o contingenciamento fiscal”, disse a senadora.

O empenho de emendas em eventos foi praticamente proibido no ano passado, e sem essas emendas fica difícil a participação efetiva dos deputados na garantia da festa”, reclamou o deputado Wolney Queiroz (PDT-PE).

Promessas

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, se comprometeu a trabalhar para que uma emenda parlamentar de R$ 13 milhões, aprovada pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, seja liberada pelo Ministério do Planejamento e empregada integralmente na promoção das festas juninas.

Alves disse que vai conversar com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para que eventos relacionados à cultura junina do Nordeste e ao forró tradicional sejam incluídos na programação oficial dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.
O ministro também se comprometeu a incluir a cultura junina nas apresentações de promoção do turismo no Brasil feitas pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) em outros países. “Vamos fazer com que essa festividade, tão entranhada no nosso Nordeste, possa tomar conta do país e do mundo”, disse o ministro.

Se eles fizerem metade do que dizem, já saímos daqui vitoriosos”, comentou o cantor e compositor paraibano Genival Lacerda, antigo parceiro de Luiz Gonzaga e um dos artistas mais reverenciados do forró.

Luto na educação de Altaneira. Morre, aos 100 anos Fausta Venâncio


A educação do município de Altaneira, na região do cariri, está de luto. A santanense Fausta Venâncio David, mas com raiz fincada na “terras altas”, veio a falecer na manhã desta quarta-feira, 17 de dezembro, aos 100 anos.


Morre aos 100 anos Fausta Venâncio - primeira professora contratada de Altaneira.  Foto para o ensaio fotográfico de meio século do município de Altaneira por Heloisa Bitu.
O falecimento de “Dona Fausta” (como passou a ser conhecida e povoar o imaginário dos altaneirenses), primeira professora contratado neste município foi noticiada nas redes sociais por vários navegantes. A Secretaria Municipal de Educação, através do titular da pasta Dhony Nergino se solidarizou com os familiares daquela que foi professora da grande maioria dos munícipes. “Nossos Sentimentos estão com os Familiares de Dona Fausta Venâncio a Primeira Professora de Altaneira que nos deixou e agora dorme com o Pai. Que Deus nosso Pai conforte a família e a todos nós...”, escreveu.  A professora e Gerente do PAIC Micirlândia Soares mencionou a contribuição de Fausta Venâncio na área educacional. “Altaneira perde no dia de hoje uma mulher guerreira e grande professora. Sua contribuição para Educação será sempre lembrada, principalmente por ter sido a primeira professora...”, pontuou.

O prefeito Delvamberto Soares (PDT) que se encontra na capital do Estado mencionou “perdermos hoje uma das pessoas que mais fizeram pelo o nosso município, dificilmente encontramos uma família altaneirense que não tenha como referências os ensinamentos da professora Fausta Venancio”, ao passo que lamentou por não poder se fazer presente no velório e deixou uma mensagem de conforto aos familiares.

Em outubro de 2015 em virtude do seu centenário, recebeu homenagens de amigos, familiares e ex-alunos, sendo ainda durante os festejos da padroeira do município Santa Tereza D’Ávila,  montado um Stand com um pequeno histórico.

Mini-Biografia

Nasceu em 12 de outubro de 1915 em Santana do Cariri. foi a primeira professora contratada em Altaneira, tão loco fixou residência no pós emancipação política desta localidade em 1958. Saiu do tradicional ambiente de ensino-aprendizagem e chegou a montar em sua própria morada uma mini escola de apenas uma sala, tendo funcionada até os anos 90 do século passado.

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10 ideias que devem ser ditas desde cedo para as crianças


Algumas ideais precisam ser ditas desde cedo para as crianças se se quiser ter seres humanos saudáveis mentalmente e capazes de se posicionarem criticamente sobre o meio que o cerca:


1. Não existe paraíso;

2. Não existe inferno;

3. Paraíso e inferno foram criações humanas;

4. Mentir não faz com que o nariz cresça;

5. Mentir te torna uma pessoa sacana, nada confiável;

6. Não existe ninguém que resolve teus problemas, você é quem deve solucioná-los;

7. Não há coelhinho da páscoa, papei noel, tirador de fígado, isso são também invenções humanas;

8. Religião não salva ninguém, até porque os únicos que precisam serem salvos são os(as) fieis iludidos(as) por falsos(as) pregadores(as);

9. Não há salvadores da pátria;

10. A hipocrisia permeia a grande maioria das pessoas.