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| (FOTO/ Reprodução/ Netflix). |
11 de outubro de 2021
“Round 6” é sobre como nos desumanizamos para sobreviver na sociedade capitalistal
Queremos aparecer, isso não é detalhe
Por Alexandre Lucas, Colunista
O
Cultura Viva enquanto política pública e posteriormente como política de
estado, o qual ficou conhecido a partir dos Pontos de Cultura, é
substancialmente uma metodologia e campo de disputar para repensar a relação da
sociedade civil e o poder público, no tocante, ao reconhecimento, o
aparecimento e a legitimação do protagonismo dos sujeitos e de suas
organizações, nos territórios e nos lugares.
O
Cultura Viva coloca em evidência o conflito, as contradições e a fragilidade do
conceito de gestão democrática e participativa, em especial, no âmbito dos
municípios, onde as disputas são mais acirradas.
Reconhecer
o papel e o protagonismo dos movimentos sociais na deliberação das políticas
públicas, no controle social e no aparecimento da comunicação institucional
continua sendo um desafio, um espaço para ser conquistado.
Decolonizar
parece ser um termo conveniente para romper com uma lógica de pensamento
hegemônico de política pública baseada na negação deliberada do aparecimento
das vozes e ações oriundas da sociedade civil, o indeferimento do conflito e da
contradição com tática política de silenciamento dos movimentos sociais e o
equivocado discurso de gestão democrática e participativa que não se sustenta
quando se apresentam as vozes das contraposições, das discordâncias e das
oposições.
A
democracia não é um conjunto de iguais, pelo contrário, é um caminho
divergente. É na divergência que se constrói a democracia, dito de outra forma,
é com a participação de diversos e
divergentes sujeitos e organizações
sociais que se constrói uma gestão democrática e participativa. Não se constrói
democracias entre iguais, pelo contrário se alicerça a ditadura ou
distanciamento do conceito democracia que não é uno, mas que está longe ser um
conjunto de compreensões de iguais.
O
Cultura Viva enquanto perspectiva de política pública e de movimento social tem
muito para nos ensinar sobre gestão democrática e participativa. Precisamos
ficar atentos e desmascarar as tentativas constantes de ataques à democracia
ventiladas e orquestradas de forma mais nítida e robustas pela direita
representada por um discurso que elege a participação e a democracia como
inimigas.
Por lado os setores do campo democrático e progressista, incluindo setores da esquerda, precisam aprofundar o debate sobre a necessidade do protagonismo dos sujeitos e de suas organizações na construção e deliberação das políticas públicas, tendo em vista que é notório, ainda, uma visão romanceada de democracia por alguns setores, baseada em concepções negacionistas do conflito, da contradição e da luta de classes. O diálogo e o consenso não é em hipótese alguma uma homogeneidade numa sociedade dividida antagonicamente em classes sociais irreconciliáveis.
Qual
a necessidade do protagonismo dos sujeitos e de suas organizações na
deliberação das políticas públicas? Se queremos aprofundar os mecanismos de
participação e de acessibilidade das políticas públicas, minimamente os
espaços, os micros espaços de poder, precisam ser compartilhados. Neste sentido
é preciso também mudar a direção do holofote da comunicação institucional,
democratizar a comunicação é um ato político, que orienta quem deve
protagonizar as narrativas.
Historicamente,
os sujeitos e suas organizações foram excluídos do direito de participar e decidir
sobre as políticas públicas e consequentemente de aparecer enquanto
construtores da democracia. Isso não é um detalhe, é uma deliberação.
Participar, decidir e aparecer é indispensável para que os movimentos sociais ocupem outro lugar na esfera da política pública. Afinal, é sempre importante entender que a comunicação cumpre uma função política central na ocupação dos espaços de poder e isso nunca foi detalhe.
10 de outubro de 2021
Após salvar o Brasil da Covid, ciência recebe do governo um cuspe na cara
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| (FOTO/ Reprodução). |
O corte de R$ 600 milhões nos recursos previstos para o Ministério da Ciência e Tecnologia reforça o equívoco de quem afirma que o governo Bolsonaro acabou. Pelo contrário, ele segue a todo vapor no seu principal objetivo: desconstruir o país para reconstruí-lo à sua imagem e semelhança. E na realidade paralela do bolsonarismo, ciência muitas vezes é um problema, não a solução.
Entidades científicas avisam que a tungada - realizada pelo Congresso Nacional a pedido do ministro da Economia, Paulo "Ilhas Virgens" Guedes - reduzirá o financiamento e, por conseguinte, a produção de conhecimento no Brasil. No ano em que a ciência nos salvou do charlatanismo, do curandeirismo e do negacionismo, ela recebe um cuspe na cara como agradecimento.
O Brasil ficou menor durante a pandemia porque o governo e seus aliados deram as costas para médicos e cientistas, promovendo tratamentos e remédios ineficazes, atacando o isolamento social, afirmando que vacinas transformariam pessoas em jacarés ou matariam adolescentes, fazendo experimentos em cobaias humanas.
O epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, calcula que mais de 400 mil das 600 mil mortes foram desnecessárias.
O bolsonarismo elabora seus planos visando às suas necessidades políticas e econômicas, da reeleição ao lucro fácil. Qualquer entrave colocado no caminho de seus objetivos é atacado violentamente. Nesse contexto, a ciência, que expõe as mentiras de Bolsonaro, tem sido asfixiada - o orçamento do CNPq, que financia a pesquisa nacional, neste ano, é 38% do que era em 2013.
A tragédia é que Bolsonaro está nos condenando a um apagão de conhecimento nas próximas décadas, uma vez que projetos científicos não são ligados e desligados do dia para a noite. A redução no orçamento para pesquisa não apenas atrapalha processos em andamento, mas desestimula os novos cientistas a persistirem na carreira.
O mais desconcertante é que para além de cortes por necessidades orçamentária, a porrada de R$ 600 milhões nos recursos a serem destinados ao ministério e ao CNPq faz parte do projeto de desmonte do governo Bolsonaro. O presidente, que vê os fatos como inimigos, precisa reduzir o país a cinzas para reergue-lo sob novas bases.
Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz
A declaração dele, dada a lideranças de extrema direita em um jantar nos Estados Unidos em março de 2019, vai ao encontro da desconstrução de um país minimamente iluminado pela razão e por fatos por um baseado em superstições e mentiras, no qual ele próprio possa ser, como diria o Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6, o caminho, a verdade e a vida.
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Por Leonardo Sakamoto em seu blog. Leia a íntegra aqui.
Como o Racismo criou o Brasil, livro de Jessé Souza
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| Jessé Souza. (FOTO/ Reprodução). |
O
tema do racismo é reconstruído desde o início da civilização ocidental até
nossos dias, de modo a permitir uma compreensão fundamental: a de que todo
processo de desumanização e animalização do outro assume as formas
intercambiáveis de racismo cultural, de gênero, de classe e de raça.
Perceber
as diferentes facetas do racismo possibilita não se deixar fazer de tolo, por
exemplo, quando o racismo racial assume outras máscaras para fingir que se
tornou guerra contra o crime, como se a vítima não fosse sempre negra, ou luta
contra a corrupção, usada contra qualquer governo popular no Brasil que lute pela
inclusão de negros e pobres.
Apenas
uma abordagem multidimensional permite efetivamente perceber como o racismo
racial sempre esteve no comando da iniquidade da sociedade brasileira, da escravidão
até hoje. Ao desvendar todas as máscaras de que o afeto racista se recobre para
continuar vivo fingindo que morreu, podemos enfim perceber o racismo racial
como a verdadeira causa de todo o atraso social, econômico e político do
Brasil.
"Como
o racismo criou o Brasil" veio para levar a outro patamar de
sofisticação teórica a discussão sobre o racismo no Brasil e para jogar luz
sobre todo o ódio e todo o ressentimento social com que nos deparamos hoje em
dia. O debate está posto!
Sobre o autor
JESSÉ SOUZA
é graduado em Direito e mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília, a
UnB, doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, com
pós-doutorado em Psicanálise e Filosofia na The New School for Social Research,
em Nova York.
Professor
titular da Universidade Federal do ABC, professor convidado da Universidade de
Sorbonne, Paris I, e pesquisador sênior da Universidade Humboldt, em Berlim,
ele coordenou diversas pesquisas empíricas de amplitude nacional e
internacional sobre desigualdade, preconceito e classes sociais no Brasil e no
mundo.
É
autor de mais de 30 livros e de uma centena de artigos e ensaios em vários
idiomas. Entre seus maiores sucessos se destacam A elite do atraso, A classe
média no espelho e A guerra contra o Brasil.
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Com informações da Amazon.
9 de outubro de 2021
Nos encontramos na rua
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| Alexandre Lucas. (FOTO/ Reprodução). |
Por Alexandre Lucas, Colunista
Sei
que não sabia ler ainda, nem vasculhar o mundo, tinha menos de uma década. Foi
no meio da rua que nos encontramos pela vez, era dia, ela, maior que eu, bem
maior, por algum tempo nos encontramos no mesmo lugar, sempre em silêncio, mas
com olhos de querer saber. Ficava naquele imenso muro, sozinha, não tinha como
ficar despercebida.
Depois
ela desapareceu, não deixou cartas, nem pistas. Fiquei sem notícias. Já tinha
passado mais de uma década, ainda pequeno para a dimensão do mundo. Em uma
noite encontrei algumas delas, numa grande rua, dançavam, altas e brilhosas.
Pareciam até uma fábrica de sonhos, meus olhos brilhavam como cetim. O céu
parecia um mar vermelho, cheio de ondas que faziam cambalhotas de esperança.
Depois
já éramos tão próximos, tínhamos tanta intimidade que carregamos nos braços da
razão. Já descobria sobre os desaparecimentos e os silêncios.
Já não conseguem apagar você, nem separar os nossos caminhos. Enquanto existem punhos que cruzam braços, outros pintam foices e martelos pelas ruas para construírem redemoinhos.
NUAFRO abre inscrições para bolsistas para pesquisa sobre Antirracismo e Serviço social
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| (FOTO/ Reprodução). |
O
Laboratório de Estudos e Pesquisas em Afrobrasilidade, Gênero e Família
(NUAFRO), vinculado à UECE, abriu Edital de seleção para bolsistas do PROGRAMA
BICT/FUNCAP (2021 – 2022) com a finalidade de preencher 02 vagas para o Projeto
de Pesquisa sobre “Antirracismo e Serviço
social: ánalise da questão racial na pós-graduação em serviço social.”
Segundo
o NUAFRO, a seleção se dará por meio do preenchimento da ficha de inscrição no
Google Forms e envio para o e-mail: laboratorionuafro@gmail.com
e os/as concorrentes terão que encaminhar uma redação com o seguinte tema acerca
da Questão Racial e a Formação Profissional do Serviço Social na Contemporaneidade.
A proposta do texto deve ser encaminhada até às 23:59 deste sábado, 09.
De
acordo ainda com o edital do NUAFRO, a seleção será composta ainda de uma entrevista
no formato remoto pelo Google Meet, dos/as candidatos/as selecionados/as, o
link e as demais informações serão enviados pelo e-mail inscrito na presente
ficha (Dia 11/10);
Quem
se inscreveu, deve ficar atento aos prazos. O resultado final dos/as candidatos/as
será divulgado dia 12 do mês em curso. Passado
essa fase, será encaminhado os/as selecionados/as, dia 13, as orientações
referentes ao envios das documentações de acordo com o Protocolo de Entrega de
Documentos.
Para mais informações, leia o Edital aqui.
8 de outubro de 2021
Ministério da Economia corta 92% dos recursos destinados à Ciência
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| Congresso aprova corte de 92% de recursos da Ciência a pedido do Ministério da Economia.(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) |
Sueli Carneiro deixa conselho editorial da Folha de S. Paulo
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| Sueli Carneiro.(FOTO/ Divulgação). |
A
filósofa e escritora Sueli Carneiro, pediu o seu desligamento do conselho
editorial do jornal Folha de S. Paulo. A informação foi divulgada pela Folha,
após reunião do conselho, nesta quinta-feira (7).
A
saída de Sueli Carneiro ocorre dias depois do jornal publicar uma artigo do
colunista Leandro Narloch, em que ele relativiza a escravidão de mulheres
negras, em texto intitulado “Luxo e riqueza das ‘sinhás pretas’ precisam
inspirar o movimento negro”. Em resposta, o advogado Thiago Amparo, que
integra o conselho editorial da Folha, classificou o artigo como racista e o
jornal como conivente por publicá-lo.
Na
coluna, Narloch argumentou que o movimento negro de hoje deve se inspirar nos
negros escravizados que ascenderam socialmente. Em um trecho ele diz: “os
negros foram escravizados, assassinados e estuprados no sistema escravocrata,
mas olhem para o lado bom: meia dúzia de sinhás ascenderam socialmente dentro
desse sistema”.
“A sinhá preta é um personagem poderoso
porque complica narrativas de ativistas. As negras prósperas no ápice da
escravidão são uma pedra no sapato de quem acredita que ‘o capitalismo é
essencialmente racista e machista’ e que o preconceito é uma força determinante
[…]”, disse Narloch, em mais um trecho da coluna, utilizando a mesma tática
que em seu livro “Guia do Politicamente Incorreto”.
Durante
o encontro da Folha, o economista Joel Pinheiro da Fonseca defendeu que o
jornal não pode afirmar que Jair Bolsonaro mente, porque, segundo ele, isso
“afasta o leitor”. José Henrique Mariante, também parte da Folha de S. Paulo,
afirmou, no dia 3 de outubro, que a empresa manterá em seus quadros o
jornalista Leandro Narloch.
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Com informações do Notícia Preta.







