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| Na imagem, Maria Raiane (esq.) e Maria Ismênia. (Card produzido por IA a partir das fotos originais das autoras). |
Por Nicolau Neto, editor
Neste sábado, 1° de agosto, o Centro Cultural do Cariri Sêrvulo Esmeraldo, no município de Crato, recebe nesta sexta-feira, será um palco do lançamento duplo de livros das "Marias Negras", destacando a produção científica e intelectual de mulheres negras do Cariri cearense.
As
autoras Maria Raiane Felix e Maria Ismênia Leite escreveram acerca de temas que
trabalham participação política, afrodescendência, memória e resistência, ao
passo que propõe diálogo e reflexão sobre a realidade da região.
Na
obra "Se for Coletiva, eu prefiro:
Uma (Re)Construção Interpretativa a Partir da Primeira Candidatura Coletiva de
Mulheres Negras do Cariri Cearense, o Coletivo Sementes", a professora
e cientista social Maria Raiane Felix, analisa a experiência da primeira
candidatura coletiva formada por mulheres negras no Cariri cearense. Segundo
ela, o texto discute e reflete sobre novas formas de participação política,
destacando a construção coletiva como estratégia de representatividade,
enfrentamento ao racismo e fortalecimento das pautas feministas no território.
Maria
Ismênia, em "As afrodescendências
de Assaré: território, memória e construção da identidade negra", de
Maria Ismênia Leite, resgata a história da população negra de Assaré, município
conhecido nacionalmente pela tradição cultural e pela figura de Patativa do
Assaré, demonstrando as contribuições, memórias e formas de resistência que
marcaram a formação da identidade negra deste município. Ela articula pesquisa,
memória oral e vivências para destacar histórias rotineiramente silenciadas e
apagadas.
Mais
do que um lançamento literário, o encontro simboliza o fortalecimento da
produção acadêmica e cultural de mulheres negras da região, evidenciando seus
protagonismos. Ao transformar pesquisas em livros, as autoras ampliam o acesso
ao conhecimento sobre a região e contribuem para a valorização das histórias,
identidades e experiências negras, promovendo reflexões sobre memória,
pertencimento e participação social.
Segundo as autoras, que possuem forte ligação com o movimento negro da região, o evento é aberto ao público e reúne literatura, pesquisa e diálogo, reafirmando o papel da escrita como instrumento de preservação da memória, produção de conhecimento e fortalecimento das lutas por reconhecimento e justiça social no Cariri cearense.

Será um momento potente com partilhas e diálogos das epitemologias negras que compõem a história, cultura e geografia da região do Cariri cearense.
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